Você conhece o Pablo Rodriguez?

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Neste mundo da bicicleta a gente cruza e tem a oportunidade de conhecer muitas pessoas, o que é uma das melhores coisas do esporte.

Conheci o Pablo numa viagem que fizemos num Carnaval para São Sebastião da Grama, bem pertinho de Minas Gerais. Olhos azuis, bem magro e com um humor bem argentino. Mas depois de 5 minutos de conversa, descobri uma pessoa super agradável, divertida e muito parceira. Ciclista quase profissional, estava sempre preocupado com os retardatários e com a segurança do grupo.

Compartilho com vocês um pouco da história do Pablo, que faz um trabalho lindo em prol da ONG Orphans Africa. Espero que gostem!

– Bike e Saúde [BS]: Como a bicicleta entrou na sua vida?

Pablo: Minha relação com o esporte começou muito cedo, quando eu tinha apenas 7 anos e o médico recomendou para minha mãe que eu deveria fazer algum esporte ao ar livre para tentar reverter um quadro de asma. Minha mãe me matriculou em um clube de remo esportivo, eu era tão pequeno que só conseguia segurar os remos, mas no final deu certo.

Enquanto remava, olhava os barcos a vela, fiquei apaixonado e sabia que isso era o que eu queria. Aos 9 anos comecei a velejar, logo entrei em regatas e senti a adrenalina de competir, sensação que tenho até hoje só fui mudando de categorias. Participei de um Campeonato Mundial de vela e conquistei o Campeonato Sul-americano Júnior da categoria Snipe [um barco de quinze pés para dois velejadores].

pablo02A vela virou um esporte muito caro que eu não podia custear e foi neste momento que eu comprei uma bicicleta de ferro num supermercado e comecei a pedalar. Inscrevi-me num duatlo e logo estava no triatlo [combinação de três provas que devem ser realizadas consecutivamente e sem interrupção pelos competidores]. Dediquei três anos a essa competição [de triatlo] e depois no ciclismo de estrada.

Minha paixão pela vela sempre existiu e voltei a velejar em 1997, mas tive que abandonar novamente por causa da minha vinda para o Brasil em 2004. Nessa época, assumi o cargo de Diretor de Tecnologia para a América Latina na Syngenta, empresa do agronegócio. Foi neste momento que eu me perguntei que tipo de esporte eu poderia praticar.

BS: Como você começou a pedalar no Brasil? Onde encontrou outros ciclistas?

Pablo: Trouxe minha bicicleta MTB [mountain bike], de marca Schwinn, que usava para me locomover em Buenos Aires. Um amigo me falou de um grupo de bike e comecei a pedalar com eles. Esse grupo mudou minha vida, agora tinha uma atividade para os finais de semana. Comecei a conhecer pessoas exatamente quando acabava de chegar ao Brasil, e foi num pedal, no famoso Limoeiro (http://www.casadefazenda.com.br/), onde conheci minha esposa Mônica.

BS: Quando você decidiu competir?

Pablo: Apenas uns meses pedalando em trilhas e eu já me empolguei e participei da minha primeira corrida de MTB, de uma longa lista que acho nunca será completada.

Fui aprendendo e treinando mais e melhor, alguns pódios começaram aparecer e decidi que queria algo grande. Assim começou o projeto do Cape Epic 2009 (https://www.cape-epic.com/),  numa época em que fazer provas por etapas, em vários dias, era uma raridade.

Hoje posso dizer que sou especialista em corridas por etapas, tenho feito 5 Cape Epics (duas vezes top 10), 3 Brasil Ride, 1 Alpac Attack na Patagônia, 1 TransPortugal e outras provas de menos dias.

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BS: Qual é a frequência dos seus treinos? Participa de algum grupo para treinar?

Pablo: Treino 6 dias na semana, eu mesmo que planejo meus treinos, leio muito, estudo e fundamentalmente “me estudo”. Tento aprender com meu próprio corpo e com minha evolução. Treino duro, às vezes é realmente pesado, mas sempre tento manter o prazer por pedalar. Faço meus treinos mas também arrumo tempo para pedalar com meus amigos.

BS: Que dicas você daria para quem está começando no esporte?

Pablo: Aos que estão começando no esporte eu falaria para tentar buscar sua conexão pessoal com a atividade. Muitas pessoas confundem a bicicleta com pedalar. A bicicleta é o elemento físico que não pode virar um fetiche. Ninguém precisa da bike mais cara do mercado, só precisa de vontade de curtir e melhorar sua qualidade de vida. A bicicleta será o instrumento para atingir saúde, prazer, amigos, conhecer lugares e também se conhecer por dentro. Porque pedalar sozinho também é muito bom. Meus treinos “solo” são meus momentos de meditação, olho a paisagem, sinto os cheiros do mato, e sempre viajo com a mente. Minhas melhores ideias vêm desses momentos.

BS: Conte um pouco pra nós como é o projeto “Orphans Africa”.

Pablo: A bike me permitiu praticar um esporte que gosto e, ao mesmo tempo, apoiar o projeto da Orphans Africa, do qual faço parte. Por meio da bicicleta consegui desenvolver algo que sempre quis fazer: trabalhar num projeto de impacto social. O esporte me deu tudo isto num mesmo pacote.

A equipe Orphans Africa MTB Team foi criada para apoiar a ONG Orphans Africa (http://orphansafrica.org/), que trabalha com projetos de educação para órfãos na Tanzânia. Vendemos os uniformes de ciclismo e destinamos todo o lucro para os projetos da ONG.

BS: Você conhece o projeto na África?

Pablo: Sempre que consigo tempo e o dinheiro viajo para a Tanzânia para cuidar pessoalmente dos projetos. Simplesmente algo que não tem preço.

Pablo Rodriguez é argentino, formado em Tecnologia, membro do diretório da ONG Orphans Africa e responsável pela equipe de bike Orphans Africa MTB Team.

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