Eu e o Mieloma Múltiplo

Eu e o Mieloma Múltiplo

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

A gente nunca pensa que pode acontecer conosco.

Em outubro de 2013, recebi um SMS da Fundação Pró-Sangue (fica no Hospital das Clínicas, aqui em São Paulo), onde eu normalmente doava sangue. Apareceu uma anemia e eu não pude doar.

Depois, em janeiro de 2014, fiz o meu check-up geral e comecei a tratar a anemia. Afinal, eu já tinha 50 anos e deveria ser o começo da menopausa. Foi aí que a bicicleta me salvou pela segunda vez.

A primeira vez foi quando eu parei de fumar há 9 anos e, por isso isso, eu conseguia pedalar com mais intensidade. Além disso, minha resistência foi aumentando, o pulmão foi limpando e eu já começava a sentir a melhora do físico a cada dia. Deixar esse vício de lado foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, pois o cigarro é algo muito difícil de abandonar.

Voltando à anemia, comecei a tomar medicação em fevereiro de 2014 para tratá-la. Pensei que seria muito simples de cuidar, mas eu nem imaginava que a doença já estava mostrando seus sintomas: o fôlego foi desaparecendo a cada trilha que eu fazia na companhia dos meus amigos. Minha ginecologista e amiga de pedal, Eva Gonzalez Duran, foi percebendo que de nada adiantava o remédio que eu estava tomando. Decidimos que eu iria procurar meu clínico geral.

Foi neste momento que eu descobri que tinha desenvolvido um câncer chamado “Mieloma Múltiplo”. Doença sem cura, crônica e se eu tivesse um pouco de sorte, poderia fazer um autotransplante para me livrar da doença. O autotransplante permite que o médico “guarde” uma quantidade de células-tronco da medula óssea do próprio paciente. Feito isso, faz-se quimioterapia com altas doses e depois as células guardadas são recolocadas no corpo do paciente.

Quando descobri a doença, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi a pergunta “por que comigo”? Não posso negar que fiquei bem triste e desesperada por algumas horas, mas se formos comparar, quando recebi a notícia de que o meu pai havia falecido foi muito pior.

Então, tomei uma atitude: naquele mesmo dia marquei de ir tomar champanhe com minhas amigas e celebrar a vida. Eu ia batalhar para vencer essa doença, eu queria vencê-la e venci! Quatro meses de quimioterapia, 16 dias de hospital para o autotransplante e muita reflexão. Graças a duas pessoas iluminadas chamadas Paulo Silveira e Nelson Hamerschlak (meus médicos) eu estou curada e muito bem disposta. Não tenho mais nenhum sintoma da doença, ou seja, “zerei’”!!!!!

Família e amigos foram fundamentais em todo processo de tratamento, além da minha vontade de não desistir e de querer viver. O fato de eu ter uma alimentação balanceada, praticar exercícios físicos com frequência e muita fé na vida fez com que eu passasse por este período de uma maneira bem mais tranquila e acreditando que “eu podia”!

Câncer? Já era. Agora acabo de voltar de duas viagens maravilhosas que fiz na Europa curtindo cada minuto da minha vida!

Nuria Casadevall